|
|
A
União Nacional da Construção (UNC), movimento nacional que reúne 34 entidades
empresariais nacionais do Macrosetor da Construção, coordenado pela CBIC –
Câmara Brasileira da Indústria da Construção, lançou no dia 10 de agosto, em São
Paulo, o documento
"A
Construção do Desenvolvimento Sustentado",
que traz propostas do setor para o futuro governo iniciar a retomada do
desenvolvimento sustentado através do investimento em setores essenciais de
infra-estrutura - malha rodoviária, geração de energia elétrica, saneamento e
habitação social - e do estímulo à iniciativa privada no investimento à produção
de moradias.
O documento, elaborado
pela FGV Projetos, da Fundação Getúlio Vargas está sendo apresentado e debatido
com todos os candidatos à Presidência da República. Nele é proposta a injeção
de cerca de R$ 51,5 bilhões por ano nesses setores -R$ 11,7 bilhões na malha
rodoviária; R$ 6,8 bilhões em energia; R$ 6,0 bilhões em saneamento; R$ 10,2 em
habitação social e R$ 16,8 bilhões em habitação de mercado – com o que se
poderia gerar, durante a execução das obras, um aumento de 1,3% no Produto
Interno Bruto (PIB) do país, a criação de 877 mil novos postos de trabalho e o
incremento de R$ 10,1 bilhões na arrecadação de impostos e contribuições.
A longo
prazo, os efeitos seriam o aumento da taxa de investimento de 19,9% em 2005 para
21,4% em 2010, a expansão de 9,95 pontos percentuais da taxa de crescimento do
PIB no período (2,40 pp/ano) e o incremento de mais de 1 ponto percentual por
ano do PIB per capita.
Esses
investimentos também elevariam a expectativa de vida da população brasileira,
que em 2003 era de 68,7 anos, para 72,3 anos em 2010 e faria com que o País
atingisse, no mesmo período, um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,815,
passando a ocupar uma posição entre os 50 países considerados de alto
desenvolvimento. Em 2003, o Brasil ocupava a 63ª posição, com IDH igual a 0,792.
O documento
da UNC alerta para a complementariedade das iniciativas para que a ampliação dos
investimentos alcancem o objetivo do desenvolvimento sustentado. "De pouco
adianta investir em habitação social, se os investimentos em saneamento são
preteridos, ou investir em rodovias, sem a expansão da capacidade instalada de
geração de energia. O desenvolvimento equilibrado requer iniciativas em todas as
áreas", relata o documento.
Agenda da
construção
- De acordo com o presidente da CBIC, Paulo Safady Simão, idealizador da
recém-lançada União Nacional da Construção (UNC), para que o país pudesse vir a
receber os investimentos necessários para a expansão simulada pelo estudo
contratado à FGV Projetos, muito do que já existe pode ser preservado em alguns
setores, como o habitacional e o rodoviário. Porém, os setores de geração de
energia e de saneamento ainda carecem de marcos regulatórios. "A
inexistência desses instrumentos inibem os investimentos, pois os riscos são
elevados. Providências urgentes são necessárias para mudar esse quadro", afirma
o presidente da CBIC, apelando também para o fortalecimento e autonomia das
agências reguladoras na área de infra-estrutura.
No caso da
política habitacional, conforme o presidente da CBIC, já existem
legislações e instrumentos capazes de permitir o crescimento vigoroso da oferta
de moradias, bem como existem recursos nos orçamentos públicos e nas
instituições especializadas para atender as atuais demandas. No entanto,
é necessário direcioná-los para políticas que, de fato, tenham impactos sobre o
crescimento e o bem-estar social. "É possível ampliar as fontes de financiamento
sem que isso represente uma ruptura no modelo de estabilidade macroeconômica",
assegura.
No
documento, a UNC defende a maior eficiência ao orçamento do Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS), que deve ser aplicado em habitação e saneamento.
Isso passa, segundo Paulo Simão, pela redução da burocracia do acesso ao crédito
por parte das famílias e empresas públicas e privadas e pela maior agilidade do
seu órgão gestor, também responsável pela disponibilização do dinheiro, a Caixa
Econômica Federal.
"O descompasso entre
orçamento, contratação e desembolso dos recursos do FGTS é absurdo", denuncia o
presidente da CBIC, informando que aproximadamente 28% dos R$ 11,1 bilhões das
verbas do Fundo destinadas à habitação de interesse social no período de 2003 a
2005 não foram contratadas. Na área de saneamento, a situação é mais crítica: no
mesmo período, 64% dos R$ 5,7 bilhões foram contratados e apenas 16%
desembolsados.
Para a
habitação de mercado, o crescimento do Sistema de Financiamento Imobiliário
(SFI), que tem como fundamento a securitização de recebíveis imobiliários, é
outra aposta da UNC. Porém, a despeito dos seus expressivos avanços desde seu
lançamento em 1997, o presidente da CBIC alerta que o pleno desenvolvimento
deste mercado depende da consolidação de um ambiente de segurança jurídica e
garantia de contratos que deverá ser conquistado a partir da transparência e
agilidade do Judiciário. "Medidas nessa direção já existem e precisam ser
valorizadas: a hipoteca, a alienação fiduciária e o incontroverso", ressalta
Paulo Simão.
Ainda para a
habitação de mercado, a UNC propõe a introdução de incentivos tributários e a
diminuição dos riscos legais no mercado para locação residencial e comercial.
Incentivos que poderiam atrair investimentos privados de longo prazo neste
segmento, ampliando a oferta de imóveis sem a necessidade de aumento do
financiamento para a aquisição de imóveis.
No caso da
malha rodoviária, a simples aplicação dos recursos já existentes advindos
da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) atenderiam a demanda
atual. Isso porque, de acordo com o estudo da FGV Projetos, de 2002 a 2005, a
Cide arrecadou, em média, aproximadamente R$ 7,9 bilhões por ano. No entanto,
apenas uma média de R$ 1,35 bilhão ao ano foi direcionada para rodovias,
ferrovias e hidrovias. Os R$ 26,1 bilhões restantes foram usados para alimentar
o superávit primário e para pagar outras despesas correntes do governo federal.
As
Parcerias Público-Privadas (PPPs) são outro instrumento apoiado pela UNC,
uma vez que sua recente regulamentação possibilitará o acréscimo de recursos
privados complementares aos investimentos públicos para projetos do setor, desde
que estes apresentem garantias ao financiador.
E, por fim,
a redução da carga tributária é apontada pela UNC como importante
alavanca para a formalização na cadeia produtiva da construção, para o
incremento dos investimentos e para a redução do déficit habitacional. No
documento, o movimento do setor propõe mais reduções dos impostos sobre Produtos
Industrializados (IPI) e sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); a
simplificação e diminuição tributárias previstas na Lei Geral das Micro e
Pequenas Empresas, em tramitação no Congresso Nacional e a redução dos impostos
(PIS, Cofins, Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido -
CSLL) nas operações de crédito para o setor, notadamente aquelas destinadas à
aquisição de moradias.
|
|