X

Barcas nas lagoas da Barra e de Jacarepaguá: projeto prevê cinco estações e visa a resolver ‘drama de mobilidade’

O prefeito Eduardo Paes apresentou, na última semana, um projeto inédito de transporte público aquaviário que promete mudar a mobilidade na Zona Sudoeste do Rio. Batizado de Aquaviário Lagunar de Jacarepaguá, o sistema prevê a criação de linhas de barcos interligando as lagoas da Tijuca, Jacarepaguá, Marapendi e Camorim, numa área de 12 milhões de metros quadrados. O sistema começará com cinco estações principais: Jardim Oceânico (Metrô), Península (Barra da Tijuca), Parque Olímpico, Rio 2 e Recreio dos Bandeirantes.

Durante a apresentação, Eduardo Paes comparou o cenário das lagoas cariocas com Veneza e destacou o impacto da obra para a região:

Barcas nas lagoas da Barra e de Jacarepaguá: prefeitura do Rio anuncia projeto que prevê cinco estações e visa a resolver 'drama de mobilidade' — Foto: Arte O GLOBO
Barcas nas lagoas da Barra e de Jacarepaguá: prefeitura do Rio anuncia projeto que prevê cinco estações e visa a resolver ‘drama de mobilidade’ — Foto: Arte O GLOBO

— Primeiro, o poder público está chegando a outras áreas. A cena que a gente vê aqui atrás, para quem já viu alguma imagem de Veneza, é parecida. A população foi se virando, a gente sabe que tem um problema. É óbvio que o aspecto da sustentabilidade é importante, mas existe um drama de mobilidade nessa região, que tem muito a ver com a expansão imobiliária para cá e com as características de como se formou a lógica das habitações na Barra. Agora a gente vem com uma alternativa, a possibilidade do transporte aquaviário. O grande impacto é sentido pelos trabalhadores que moram em Rio das Pedras, Gardênia e Muzema, e que vêm todos os dias trabalhar nos condomínios, no comércio e nos shoppings.

As estações estarão ligadas por linhas traçadas ao longo das principais vias que margeiam as lagoas, conectando polos residenciais, comerciais e o transporte de massa. Essas linhas serão: Linha Jardim Oceânico – Península, acompanhando a Avenida das Américas; Linha Península – Parque Olímpico, passando pela região da Avenida Abelardo Bueno; Linha Parque Olímpico – Rio 2, cortando a área do entorno da Salvador Allende; e Linha Parque Olímpico – Recreio, margeando a Avenida das Américas em direção ao bairro.

Referência do projeto pela CCR Par — Foto: Reprodução
Referência do projeto pela CCR Par — Foto: Reprodução

O sistema será integrado a metrô, BRT e linhas de ônibus. Segundo a prefeitura, o serviço vai desafogar corredores estratégicos como as avenidas das Américas e Ayrton Senna. Segundo a prefeitura, esses traçados foram definidos para aproveitar o desenho natural das lagoas e permitir integração mais rápida com os corredores de ônibus e o metrô.

— No primeiro passo, a concessionária tem que apresentar os planos de trabalho para a prefeitura. Começamos a trabalhar junto com eles nesses planos. Depois começa todo um processo de licenciamento. A gente está falando de algo que acontece numa área que é sensível do ponto de vista ambiental. Então, temos sempre que ter a responsabilidade de acompanhar de perto esse processo de licenciamento. À medida que vai tendo licenciamento, vai acontecendo a obra das estações e dos terminais — afirmou o Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, ao complementar:

— Já existe um transporte na região. O que a prefeitura está construindo são linhas municipais de transporte lagunar. Elas não inviabilizam e não vão retirar o transporte que já existe. Existirá a linha municipal, regular, com trajeto determinado, aceitando o Jaé e integrando com outros sistemas de transporte municipais.

Paes disse ainda que o sistema será integrado ao Jaé, o sistema de bilhetagem da cidade, e ao Bilhete Único Carioca, começando com a tarifa atual de R$ 4,70.

— A gente espera integrar o bilhete único, criando uma nova perna de mobilidade. O aquaviário começa com a mesma tarifa de R$ 4,70, e isso vai sendo ajustado na medida do possível. É um compromisso nosso oferecer transporte público de qualidade, integrado e acessível — completou o prefeito.

Autor da lei que definiu os critérios para a implantação do transporte lagunar, o vereador Carlo Caiado (PSD), presidente da Câmara do Rio, celebrou o avanço do projeto.

— O novo sistema vai melhorar muito a mobilidade para os trabalhadores dentro da Região Sudoeste, inclusive com a integração com outros meios de transporte. Outro aspecto importante é que os barqueiros que atuam há décadas na região não vão ser prejudicados. Pelo contrário, também vão estar integrados ao sistema. Nós lutamos para que isso estivesse bem definido no edital de licitação — afirmou Caiado.

O contrato de concessão foi assinado em 17 de setembro. O consórcio vencedor terá até 30 dias para apresentar o cronograma de trabalho com os prazos do plano operacional. O investimento total previsto é de cerca de R$ 100 milhões ao longo dos próximos 25 anos, destinados à construção de estações e terminais.

Atualmente, o projeto está em fase de licenciamento ambiental, e a expectativa da prefeitura é que o sistema entre em operação já em outubro de 2026. O objetivo é, em cerca de sete a dez anos, cerca de 85 mil passageiros sejam transportados por dia (útil).

— As linhas vão transportar 85 mil passageiros, é a nossa estimativa. O efeito do impacto que isso vai ter no trânsito é muito grande. Temos cinco terminais a serem construídos. O maior terminal será o do Jardim Oceânico, exatamente por conta desse modal de integração, principalmente com o BRT, com o Metrô e as linhas de ônibus. Teremos terminais no Gardênia e em Rio das Pedras, que é um terminal importante, onde tem uma demanda de população muito grande. Teremos também pontos isolados, tipo o próprio Península e o Barra Shopping. A ideia é que dentro da região possamos integrar essas áreas de densidade maior para poder atender a população — afirmou o presidente do Consórcio Lagunar Marítimo, Nelson Florentino.

Estrutura e frota

A frota terá barcos padronizados, com capacidade entre 42 a 120 passageiros. Todas as embarcações serão equipadas com: cabine fechada, protegida de chuva e vento; assentos estofados e confortáveis; sistemas de navegação e segurança; sinalização noturna, acessibilidade e saídas de emergência.

O plano inicial prevê apenas barcos com até cinco anos de fabricação, garantindo maior eficiência e conforto aos passageiros.

Fonte: O Globo

Parceiros do Sinduscon-Rio
Seja um parceiro >>
Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio)
Rua do Senado 213 Centro Rio de Janeiro RJ
Horário de funcionamento: Segunda a sexta, 8h30 às 17h.