Coberta pelo apetite das incorporadoras e correndo risco de ser demolida, a tradicional Confeitaria Rio-Lisboa, no Leblon, entrou oficialmente na lista de imóveis protegidos da Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC) do bairro. A decisão foi formalizada nesta sexta-feira (06/03) pela Prefeitura do Rio em decreto publicado no Diário Oficial.
A medida ocorre um dia após o prefeito reconhecer o estabelecimento como Patrimônio Cultural da Cidade, que foi inaugurado na década de 40 e ainda mantém suas características originais. Em suas redes sociais, Paes afirmou nesta quinta-feira que “a Rio Lisboa fica” e disse que a medida é apenas o primeiro passo para preservar o imóvel. O terreno, avaliado em cerca de R$ 30 milhões, fica na Avenida Ataulfo de Paiva, um dos endereços comerciais mais valorizados da Zona Sul.
Ao entrar na lista de bens preservados da APAC, o imóvel passa a ter restrições urbanísticas mais rigorosas. Na prática, qualquer intervenção física na estrutura, como reformas externas, alterações na fachada ou eventual demolição, passa a depender da autorização de órgãos de patrimônio, como o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).
Disputa imobiliária
Entre as incorporadoras interessadas estão: a Itten, TGB Imóveis, SIG Engenharia e Mozak. Todas estudam a viabilidade de erguer no local um novo empreendimento residencial ou corporativo.
A disputa inclui ainda o empresário Luiz Alberto Abrantes, dono da vizinha Talho Capixaba. Além de controlar o estabelecimento ao lado, ele possui participação na própria Rio-Lisboa e, por isso, tem direito de preferência na eventual compra das demais cotas do negócio.
Fundada por imigrantes portugueses em 1943, a padaria se tornou um dos pontos tradicionais do bairro. O estabelecimento mantém parte da arquitetura original e funciona 24 horas por dia. Querida pelos moradores, vai além do básico de padaria, confeitaria e mercearia. O espaço conta com mesas para consumo no local e preserva clássicos que fazem parte da rotina do Leblon, como o pão Petrópolis, o misto quente com ovo e o frango assado com batata bolinha, presença certa nos fins de semana.
O que significa entrar na APAC
A inclusão do imóvel na APAC do Leblon não impede sua venda nem eventuais mudanças internas. O instrumento, no entanto, protege a ambiência urbana e as características arquitetônicas do conjunto do bairro.
Criada pelo Plano Diretor de 1992, a Área de Proteção do Ambiente Cultural é um mecanismo de preservação do patrimônio construído da cidade. O objetivo é preservar conjuntos arquitetônicos e a identidade urbana de determinadas regiões, sem necessariamente impedir seu desenvolvimento.
Imóveis classificados como “preservados”, devem manter elementos como fachada, telhado e volumetria. Reformas internas são permitidas, desde que não comprometam as características externas que compõem o conjunto arquitetônico da área protegida.
Fonte: Diário do Rio